Nomenclatura Bíblica: antigo e novo

Os cristãos chamam o Tanakh de “Antigo Testamento” e a B’rit Hadashah de “Novo Testamento”. No entanto, o vocabulário português “Testamento” reflete uma tensão entre o hebraico, língua do Tanakh, e também o grego, idioma da B’rit Hadashah, pois a Nova Aliança (Mateus) foi escrita originalmente em hebraico, e os pais do cristianismo consumiram com ele ao decorrer da história. A palavra hebraica “B’rit” é “Diatheke” em grego. Entretanto, diatheke também pode significar “testamento”, no sentido de “vontade”. A expressão hebraica “B’rit Hadashah” pode ser traduzida apenas por “nova aliança”, mas as palavras gregas equivalentes também podem ser vertidas como “novo testamento”, e geralmente o são.

Por isso, Jeremias prediz um novo “contrato” básico entre o Criador e o povo judeu, não uma “vontade” – uma aliança, não um testamento – o termo “novo testamento” tornou-se uma terminologia padrão que obscurece o significado da língua hebraica original, “nova aliança”.

Além disso, a “nova” aliança implica a “antiga”, nesse caso a aliança mosaica estabelecida pelo Criador com o povo israelita no monte Sinai. A B’rit Hadashah explicita esse fato na carta aos Judeus messiânicos (Hebreus 8:6-13):

“Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda. Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, Em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança, Não segundo a aliança que fiz com seus pais No dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito;Como não permaneceram naquela minha aliança,Eu para eles não atentei, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as escreverei; E eu lhes serei por Deus, E eles me serão por povo; E não ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior. Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, E de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais. Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar.” Hebreus 8:6-13

Nesse contexto, “antiga” não significa “ruim”, mas simplesmente “anterior”. Pelo fato de que os livros constituem o Tanakh, dos quais a aliança mosaica é o centro, por relatarem fatos acontecidos entre 1500 e 300 antes do Messias, aproximadamente, os cristãos chamam-nos Antigo Testamento, a fim de distingui-los dos escritos do século I da era comum, que constituem o Novo Testamento.

Dois “Testamentos”, uma Bíblia. Não obstante, as duas partes da Bíblia, o Tanakh e a B’rit Hadashah, formam uma única Bíblia. Essas duas partes tratam de material paralelo de forma complementar. A História teve princípio com a criação dos céus e da terra, e com o paraíso perfeito do Éden nos dois capítulos iniciais do Tanakh, e finda com o paraíso perfeito de “um novo céu e uma nova terra” nos dois últimos capítulos da B’rit Hadashah.

Dando continuidade à história da Salvação apresentada no Tanakh com base nas alianças estabelecidas com Noé, Abraão, Moisés e Davi. A B’rit Hadashah apresenta-se como portadora da “nova aliança” prometida pelo Criador no Tanakh e que seria estabelecida “com a casa de Yisrael e com a casa de Judá e apresenta o Messias como o cumprimento dos sistemas de reis, profetas e sacerdotes, e como a suma e substância da Torah.