CHARLES T. RUSSEL

OS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

Charles T. Russell foi um estudante da Bíblia e ministro cristão. Juntamente com um grupo de estudiosos da Bíblia organizou uma associação cristã cujos membros são conhecidos como “Estudantes da Bíblia” até hoje, do qual uma vertente adotou o nome Testemunhas de Jeová. Desde a época de Russell, esse grupo têm usado também os nomes “Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia” ou “Estudantes Internacionais da Bíblia”. Atualmente, o nome “Estudantes da Bíblia Associados” também tem sido usado, com o complemento do lugar: “Estudantes da Bíblia Associados do Centro de Ohio”.

Em fevereiro de 1881, foi co-fundador da Sociedade Torre de Vigia de Sião e se tornou secretário-tesoureiro. Nessa época o presidente da Sociedade Torre de Vigia era William H. Conley. No dia 15 de dezembro de 1884, a Sociedade se torna jurídica, e Charles Taze Russell torna-se presidente. Após a sua morte, Joseph Franklin Rutherford lhe sucede como presidente.

Para divulgar os ensinos bíblicos em que acreditava, em Julho de 1879, Russell começou a publicar em inglês a revista A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, hoje mundialmente conhecida como A Sentinela — Anunciando o Reino de Jeová. Em 16 de Fevereiro de 1881, junto com outros associados, ele fundou uma sociedade bíblica sem fins lucrativos. Foi chamada de Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião (Zion’s Watch Tower Tract Society), tendo sido registada legalmente no Estado da Pensilvânia, Estados Unidos da América, em 15 de Dezembro de 1884. Após o registo legal, Charles Taze Russel torna-se o seu primeiro Presidente. O nome foi mudado em 1896 para Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (Watch Tower Bible and Tract Society). Desde 1955, tem sido conhecida por Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia (Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania) que constitui a sociedade que originou o título deste Artigo.

No início do século 20, Russell proferiu um exótico discurso intitulado – “Quem Pode Conhecer os Segredos de Deus?”. No decorrer deste, ele declarou:

“… porque desejo chamar sua atenção para o fato de que o próprio Deus Todo-Poderoso é fundador de uma sociedade secreta… Ao longo da Era do Evangelho tem existido uma Igreja externa de Deus e outra Igreja verdadeira que estava oculta. O mundo já viu a Igreja externa, porém não a oculta… esta magnífica sociedade secreta que o Senhor organizou…”

Claro que para estes que têm intimidade com os conceitos maçônicos tais palavras soam bastante familiares. Embora a Maçonaria, hoje, negue ser uma sociedade secreta, ainda assim admite o caráter sigiloso de seus símbolos e do reconhecimento mútuo dos membros de sua ‘irmandade’ ao redor do mundo. Porém, não se pode negar o fato de que, ao público em geral, a Maçonaria é vista como uma instituição fechada ou secreta – exceto para os iniciados. Dessa forma, o termo ‘sociedade secreta’ dificilmente ajustar-se-ia ao vocabulário cristão, sendo mais facilmente associado ao jargão maçônico. Teria Russell  escolhido tais palavras ao acaso? Ou teria tomado emprestadas da Maçonaria?
 
Obviamente, não seria imparcial cogitar uma ligação entre ele e a Maçonaria. Vamos continuar a análise.

Em Novembro de 1913, Russell proferiu outro discurso – não em uma congregação – mas na sede maçônica de Pasadena – Califórnia, no qual emitiu as enigmáticas palavras:

“Estou muito contente em ter esta oportunidade particular de dizer umas palavras sobre algumas coisas de comum acordo com nossos amigos maçons, pois estamos falando em um edifício consagrado à Maçonaria, e porque, ademais, nós também somos maçons. Eu sou um Franco-maçom livre e aceito… Eu creio que todos somos… Não vou falar nada contra a maçonaria… De fato, alguns de meus melhores amigos são maçons e eu reconheço que há certas verdades preciosas que são sustentadas em parte por nossos amigos maçons.”

Proferir tais palavras hoje, da tribuna de uma congregação das Testemunhas de Jeová, acarretaria consequências gravíssimas – o orador seria levado a uma reunião judicativa e suas palavras seriam prontamente contestadas do púlpito. Contudo, na época e lugar em que Russell se encontrava, seriam perfeitamente aceitáveis. Como vimos, diversas pessoas eram (e muitas ainda são) simultaneamente membros de denominações protestantes e da Maçonaria. A própria expressão usada por ele – “livre e aceito” – faz parte do jargão maçônico, indicando que ele estava muito bem familiarizado com esta instituição. De fato, Russell parecia apenas revelar mais uma faceta de sua complexa personalidade, sendo ele próprio, se não um ‘iniciado’ em sentido pleno, no mínimo, um simpatizante da Maçonaria, como muitos outros de seu tempo.

O pronunciamento do ‘pastor’ diante da comunidade maçônica não foi um evento secreto. Ao contrário, acha-se registrado, em sua inteireza, no compêndio 1913 Convention Report [Relatório da Convenção de 1913] dos ‘Estudantes da Bíblia’.

O discurso de Russell diante dos maçons contém palavras que vão muito além do que a Testemunha de Jeová mediana – hoje em dia – poderia suportar sem sofrer sérios abalos na fé que abraçou. Extraímos um trecho particularmente impressionante:

Tradução:
“É assim… O Grande Mestre Artífice da nossa Alta Ordem de Maçons Livres e Aceitos, o Senhor Jesus Cristo, lançou a fundação de tudo; como a bíblia diz, Outra fundação nenhum homem pode lançar que não aquela que está lançada, Jesus Cristo. Ele tem a fundação da alta e aceitável maçonaria, e tudo o que pertence a ela.”

A tese segundo a qual o movimento dos “Estudantes da Bíblia” era, em certa medida, herdeiro das crenças maçônicas não é nova. Ela já serviu de base para a publicação de um livro: The Watchtower and the Masons (A Torre de Vigia e os Maçons), de FritzSpringmeier, no qual o autor traça um curioso paralelo entre as duas entidades:

* Ambas usam o nome Jeová (ou um termo equivalente), embora a Maçonaria não se refreie de utilizar outros nomes.
* Ambas usam o termo “Grande Arquiteto” (ou Projetista), embora a Maçonaria dê mais ênfase a este termo.
* Ambas creem que um Deus cedeu poder a um deus menor.
* Ambas creem em uma vida futura para a humanidade – uma Idade Dourada (por acaso, antigo nome da revista Despertai!).
* Ambas enfatizam a contínua revelação (novas luzes).

Este post tem 2 comentários

  1. Anita Marques

    Como se pronuncia Yahusha haMashyach, Yahuah Tzvaot?

    1. Eric Guedes

      Olá, minha querida!
      No post do Nome Sagrado ensinamos. A fonética é bem simples (iarrúcha ramachia) (iárrua tzvaot)

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Os ramos em volta do símbolo não existiam no princípio, tendo sido introduzidos posteriormente (a partir de 1895)  Todavia, segundo um membro da Grande Loja Maçônica da Pensilvânia-EUA, a cruz e a coroa representam a união entre igreja e estado.

Por outro lado, a obra The Masonic Report  [“O Relatório Maçônico“], de C. F. McQuaig (1976, p. 34), afirma que, na verdade,  a cruz coroada tem para os maçons um significado fálico (sexual).

Vemos, à esquerda a cruz coroada, e, à direita um elmo medieval à frente de armas – uma espada, um machado e um bastão. Não é difícil determinar a origem deste símbolo. Trata-se de um emblema da Ordem dos Cavaleiros Templários – a sociedade medieval da Maçonaria Cristã. O símbolo da armadura representa altas honrarias maçônicas – o mais alto nível do rito de York e o 33° Grau do rito escocês, os quais indicam que o indivíduo atingiu o conhecimento total e o domínio total do rito.

Os membros originais da Diretoria foram:

  • Presidente: Charles Taze Russell;
  • Vice-presidente: W. I. Mann;
  • Secretario-tesoureiro: Mary Frances Russell;
  • Outros restantes diretores: J. B. Adamson; W. C. McMillan; J. F. Smith.

A Sociedade Torre de Vigia foi criticada por sua recusa em revelar os nomes e credenciais acadêmicas dos seus tradutores da “Tradução Novo Mundo das Escrituras Sagradas”. Isto se explica segundo eles que os créditos a tradução se devem a Jeová Deus, e não a homens. A Sociedade alegou que os membros do comitê dessa tradução desejaram permanecer anônimos, tendo por vista exaltar o nome de Deus, enquanto a Torre de Vigia afirmou que as qualificações educacionais desses tradutores eram desimportantes e que “a tradução em si comprova suas qualificações”.

Uma das críticas é a inserção do nome Jeová 237 vezes na Nova Aliança. As publicações da Torre de Vigia alegaram que o nome foi “restaurado” sobre bases seguras, assegurando que quando os autores do Novo Testamento citam escrituras antigas do Antigo Testamento contendo o Tetragrama YHWH, “os tradutores têm o direito de traduzir Kyrios (“Senhor”) como Jeová”.

Mas tem um problema aí. Vamos abrir um parênteses para explicar esse caso do Nome. Vejamos a explicação no site dos Testemunhas de Jeová sobre esse nome:

A maior indignidade que modernos tradutores causam ao Autor divino das Escrituras Sagradas é a eliminação ou o ocultamento deste seu peculiar nome pessoal. Na realidade, seu nome ocorre no texto hebraico 6.828 vezes como יהוה (YHWH ou JHVH [IHVH]), geralmente chamado de Tetragrama (que significa literalmente “de quatro letras”). Por usarmos o nome “Jeová”, apegamo-nos de perto aos textos da língua original e não seguimos a prática de substituir o nome divino, o Tetragrama, por títulos tais como “Senhor”, “o Senhor”, “Adonai” ou “Deus”.

 

Em parte, entendo, é realmente errado usar “Senhor e Adonai” se tratando do Nome Verdadeiro, mas o problema é que é feita a afirmação que eles, “por usarem o nome “Jeová”, se apegam de perto aos textos da língua original e não seguem a prática de substituir o nome divino”, ora, mas, primeiro, eles afirmam que  o tetragrama (YHWH) ocorre no texto hebraico 6.828 vezes como יהוה e colocam como “YHWH, IHVH ou JHVH”, aqui vemos uma inconsistência para a doutrina que segue falando que não substituem o nome divino, se o embasamento é feito sobre o texto original (Paleo-Hebraico), não pode existir a letra J, pois essa letra só existe há pouco mais de 500 anos:

J foi originalmente uma versão alternativa à letra I. A distinção tornou-se evidente a partir da Idade Média.

Pedro de la Ramée (c. 1515 – 26 de Agosto de 1572) foi o primeiro a distinguir explicitamente as letras I e J representando sons diferentes. Originalmente, estas letras representavam /i/, /iː/, e /j/; mas as línguas românicas desenvolveram novos sons que vieram a ser representados utilizando o I e o J, daí a atual distinção na pronunciação destas duas letras.

Logo o tetragrama sendo “JHVH” é invalidado no hebraico.

o Tetragrama é YHWH, e não há outras versões verdadeiras, unicamente porquê no Paleo-hebraico está: Yad, Ha, Wa, Ha, e a transliteração é tida por Y, Ah, U, Ah, unicamente porquê o “Ha” se translitera pelo próprio “Ha” ou “Ah”.

Pela língua que o Criador se apresentou à Moisés na época, é, por definição, vigarice colocar a letra “E” no Nome, já que a letra “E” só foi criada na língua pagã “Aramaico” que no exílio babilônico foi absorvida pelos ysraelitas, abandonando assim a língua patriarca, Paleo-Hebraico, e criando assim um novo “Hebraico”, o Hebraico-Aramaico (Ashurith). Veja o Post sobre o Nome Inefável.

Continuamos o texto:

O costume de substituir o nome divino por títulos, que surgiu entre os judeus, foi aplicado a cópias posteriores da Septuaginta grega, à Vulgata latina e a muitas outras traduções, antigas e modernas. Por isso declara A Greek-English Lexicon, de Liddell e Scott (LSJ), p. 1013: “‛ο Κύριος,=hebr.: Yahweh, LXX Ge. 11.5, al.” Também, o Greek Lexicon of the Roman and Byzantine Periods, de E. A. Sophocles, Cambridge, EUA, e Leipzig, 1914, p. 699, diz sob κύριος (Ký·ri·os): “Senhor, representativo de יהוה. Sept. passim [espalhado por toda ela].”

Outro erro. Eles fazem uma afirmação correta, sobre os Judeus substituírem o Nome por títulos, mas ao mesmo tempo eles usam o Greek-English Lexicon com “Yahweh”, o mesmo nome que segue o novo hebraico criado para esconder o Nome, o Hebraico-Aramaico, onde se usa a letra “E”. Então o Nome Verdadeiro seria “Yahwah” (no Paleo-Hebraico não existe “E”), e sendo a letra “wav” a mesma para “W,V,U e O” é certo afirmar que o Nome é “Yahuah”. Esse é o Nome Verdadeiro.

E então:

A própria frequência do aparecimento do nome atesta a sua importância para o autor da Bíblia, a quem pertence este nome. O Tetragrama ocorre 6.828 vezes no texto hebraico (BHK e BHS). Isto está confirmado pelo Theologisches Handwörterbuch zum Alten Testament, Vol. I, editado por E. Jenni e C. Westermann, 3.ª ed., Munique e Zurique, 1978, col. 703, 704. A Tradução do Novo Mundo verte o Tetragrama por “Jeová” em todas as ocorrências, exceto em Jz 19:18, cuja n. veja.

Eles afirmam que YHWH se translitera como “Jeová”. Obviamente é uma tradução nada confiável, por este motivo e outros que a Sociedade Torre de Vigia foi criticada por sua recusa em revelar os nomes e credenciais acadêmicas dos seus tradutores. Fechando parênteses.

Charles Russel então publicava na Sentinela suas ideias.

A Sentinela – Anunciando o Reino de Jeová, mais conhecida pela forma abreviada A Sentinela, é uma revista religiosa publicada pelas Testemunhas de Jeová desde 1879, composta por 32 páginas em sua edição de estudo e 16 páginas a edição ao público (publicada a partir de janeiro de 2013). É distribuída em 379 idiomas com uma periodicidade mensal (edições de estudo e para o público, intercaladas), com uma tiragem superior a 93 milhões de exemplares da edição para o público.

Juntamente com a revista Despertai!, constitui um dos mais importantes meios de divulgação das Testemunhas de Jeová e é a revista mais traduzida e com maior circulação em todo mundo; porém na edição do estudo da mesma, com 302 idiomas, inclusive a língua brasileira de sinais (surdo).

Charles Russel é bem famoso também por ser um dos maiores falsos profetas. Veja o porquê…

Desde as mais antigas publicações do fundador da Sociedade Torre de Vigia, o grande Charles Taze Russell, em meados da década de 1870, as publicações da sociedade têm afirmado a confiabilidade de suas previsões, com uma linguagem enfática, como “verdade estabelecida” e “indisputável”. Previsões feitas em 1892, dizendo que o Armageddon tomaria lugar em Outubro de 1914, afirmando que a data era “definitivamente marcada pelas Escrituras”, e o editor da Sentinela Charles Taze Russell declarou: “Nós não vemos razões para mudar as imagens– nem poderíamos mudar se quiséssemos. Elas são, acreditamos, as datas de Deus, não a nossa”.

Previsões acerca do começo do rein
o de mil anos de Cristo em 1925 foram tidas como “corretas além da dúvida”, “absolutamente e qualificadamente corretas”, “indisputáveis” e trazendo “a estampa de aprovação pelo Deus Todo-Poderoso”.

As publicações da Sentinela ocasionalmente perceberam que elas “sugeriram datas que acabaram sendo incorretas” como um resultado de sua “ânsia pela segunda vinda de Jesus”, acrescentando que elas nunca haviam alegado que as predições eram “palavras de Jehovah”. As publicações, por vezes, simplesmente esqueceram suas afirmações prévias, afirmando no lugar que os membros haviam “lido na Sentinela afirmações que não eram a intenção”, e que as crenças dos membros eram “baseadas em premissas erradas”.

Outras predições falhas são ignoradas completamente. Um livro, O Mistério Terminado (1917), aplicou aos anos 1918-1925 eventos que eram anteriormente situados antes de 1914. Quando algum desses eventos veio novamente a não se mostrar correto, a edição de 1926 do livro alterou a afirmação e removeu as datas.

Em 1975, enquanto publicações e discursos públicos continuaram a construir as expectativas de que o Armageddon iria acontecer naquele ano, o membro do Corpo Governante Frederick Franz anunciou numa convenção das Testemunhas em Toronto que ele estava “procurando confiantemente” por aquilo que o outono traria; numa outra convenção em Toronto, no ano seguinte, ele anunciou que o Armageddon não ocorreu porque as Testemunhas não o esperavam.

De acordo com o autor James Penton, “Franz colocou a culpa do fiasco sobre toda a comunidade das Testemunhas de Jeová”.

Previsões (por data de publicação) incluem:

  • 1877: O Reino de Cristo iria dominar completamente a Terra em 1914; Os judeus, como povo, seriam restaurados ao favor de Deus; os “santos” seriam carregados ao paraíso.
  • 1891: 1914 seria “o último limite do governo dos homens imperfeitos.” Charles Taze Russell, The Time Is At Hand (1891) citada por James Penton, Apocalypse Delayed, página 44.
  • 1904: “Anarquia mundial” iria acompanhar o fim do tempo dos gentios em 1914.
  • 1916: A Primeira Guerra Mundial terminaria no Armageddon e no rapto dos “santos”.
  • 1917: Em 1918 a Cristandade iria ser esquecida como sistema e ser substituída por governos revolucionários. Deus iria “destruir as Igrejas vendidas e os membros das igrejas aos milhões”. Os membros das igrejas iriam “perecer pela espada da guerra, revolução e anarquia”. Os mortos iriam jazer desenterrados. Em 1920, todos os governos terrenos iriam desaparecer, com a anarquia global prevalecendo.
  • 1920: O Reino do Messias seria estabelecido em 1925 e traria paz mundial. Deus iria começar a restaurar a terra. Abraão, Isaac, Jacó e outros patriarcas fiéis ressuscitaram à vida humana perfeita e se tornariam príncipes e governantes, os representantes visíveis da Nova Ordem na Terra. Aqueles que se mostraram obedientes a Deus nunca morreriam.
  • 1922: O jubileu que marcaria a intervenção de Deus nos assuntos terrenos em 1925 tomaria lugar “provavelmente no final” daquele ano. A cronologia foi descrita como “correta além da dúvida”, “absolutamente e qualificadamente correta”, trazendo “a estampa da aprovação do Deus Todo-Poderoso” e “sublime demais para ser o resultado do acaso ou da intervenção humana”.
  • 1924: A restauração da Terra por Deus iria começar “pouco depois” de Primeiro de Outubro de 1925. Jerusalém se tornaria a capital do mundo. Os “príncipes” ressuscitado, como Abel, Noé, Moisés e João Batista, dariam instruções aos seus servos ao redor do mundo por rádio, e aeroplanos transportariam pessoas de e para Jerusalém de todas as partes do globo em apenas “poucas horas”.
  • 1938: Em 1938, Armagedon estava perto demais para casar ou ter filhos.
  • 1941: Haveria apenas “meses” sobrando até o Armagedon.
  • 1942: O armagedon estava imediatamente diante de nós.
  • 1966: Seriam seis mil anos desde a criação do homem no final de 1975, e seria “apropriado” que o Reino de Cristo começasse naquela época. O tempo estava “se esgotando, sem dúvidas”. O “futuro imediato” seria “certamente preenchido de eventos climáticos… em poucos anos no máximo”, as partes finais da profecia bíblia relatando os “últimos dias” iriam se realizar a partir do começo do Reino de Cristo.
  • 1968: Ninguém poderia dizer “com certeza” que a batalha do Armagedon começaria em 1975; mas o tempo estava “se esgotando rapidamente” com “eventos como terremotos” que ocorreriam em breve. Em Março de 1968 havia apenas um “curto período de tempo restando”, com “apenas cerca de noventa meses restantes antes que os seis mil anos da existência do homem na terra se completasse”. Primeiramente não há nenhuma publicação de 1968 falando as datas que “aconteceria o armagedon” O link para o site das testemunhas de jeová para as publicações de 1968 para comprovar se há ou não uma publicação falando a[ data do armagedon. E não relatamos que faltariam apenas meses, já que na bíblia não esta escrito a data exata que ocorreria o armagedon.
  • 1969: A existência humana não duraria o tempo suficiente para que as pessoas jovens crescessem; o sistema mundial iria terminar “em poucos anos”. Jovens Testemunhas não deveriam se preocupar em alcançar educação terciária por essa razão.
  • 1974: Haveria apenas um “curto tempo restante antes do terrível fim do mundo” e as Testemunhas deveriam vender suas casas e propriedades para “acabar com o resto de seus dias nesse velho sistema”.
  • 1984: Havia “muitas indicações” de que “o fim” estava mais próximo que o fim do século XX.
  • 1989: A Sentinela afirmou que a obra missionária cristã iniciada no primeiro século seria “completada no século XX”. Quando a revista foi republicada em volumes encadernados, a frase “em nosso século XX” foi substituída pela menos específica “em nossos dias”.

Embora a Sociedade Torre de Vigia afirme que o fundador da Sociedade, Charles Taze Russell, era conduzido pelo Espírito Santo de Deus, através do qual ele recebia “flashes de luz”, ela alterou substancialmente suas doutrinas desde a fundação e abandonou muitos dos ensinamentos de Russell. Ou seja, será que ele era mesmo guiado pelo Espírito Santo do Pai?

Muitas das mudanças envolveram cronologia bíblica que fora antes caracterizada como “além da dúvida”.

  • Data do começo do domínio do Reino de Cristo. Russel ensinou que Jesus havia assumido poderes reais em Abril de 1878. Em 1922, Joseph Rutherford alterou a data para 1914.
  • Data da ressurreição dos cristãos ungidos: Após a falha das predições de que os santos escolhidos de Cristo seriam levados para o paraíso em 1878, Russell desenvolveu o ensinamento de que aqueles “morrendo no Senhor” de 1878 em diante teriam uma ressurreição paradisíaca imediata. A Torre de Vigia confirmou a doutrina em 1925, mas dois anos mais tarde afirmou que a data estava errada, e que o começo da ressurreição instantânea ao paraíso para Cristãos fiéis começaria em 1918.
  • As Grandes Pirâmides como “testemunhas de pedra” de Deus. Russell escreveu em 1910 que Deus mandou
    construir a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, como um testemunho da verdade da Bíblia e prova de sua cronologia identificando os “últimos dias”. Em 1928, Rutherford refutou a doutrina e alegou que a Pirâmide havia sido construída sob a direção de Satanás.
  • Identidade do “escravo fiel e discreto”. Russell inicialmente acreditava que o “escravo fiel e discreto” de Mateus 24:45 era “todo membro desse corpo de Cristo… o corpo inteiro individualmente e coletivamente”. Por volta de 1886 ele alterou sua visão e começou a explicar que se tratava de uma pessoa, e não da Igreja Cristã. Russell aceitou as alegações de estudantes bíblicos de que ele era aquele “escravo” e em 1909 descreveu como seus oponentes todos aqueles que interpretassem os termos “escravo fiel e discreto” como “todos os membros da Igreja de Cristo”, ao invés de interpretarem a figura como um indivíduo. Por volta de 1927, a Sociedade Torre de Vigia abandonou a visão de Russell e passou a ensinar que se tratava de um “servo coletivo”.
  • Começo dos “últimos dias”. Desde as primeiras questões da Sentinel, Russell promoveu a crença de que os “últimos dias” haviam começado em 1799 e que terminariam em 1914. Em 1921, as publicações da Torre de Vigia ainda diziam que os últimos dias haviam começado em 1799. Em 1930, essa data foi abandonada e 1914 foi fixado como o começo dos últimos dias.
  • O papel dos judeus no Reino de Deus. Russell seguia a visão de Nelson H. Barbour, que acreditava que em 1914 o Reino de Cristo tomaria o poder sobre toda a terra e de que os judeus, como povo, seriam restaurados ao favor de Deus. Em 1889, Russell escreveu que com o fim dos “Tempos dos Gentios” em 1914, a cegueira de Israel iria ser curada e eles se converteriam ao Cristianismo. O livro Life (1929) afirmou que o retorno dos judeus à Palestina, sinal do fim, estava muito próximo, porque os judeus “teriam os favores primeiro, seguidos por todos os outros que obedeciam ao Senhor” sob a restauração de Deus de seu Reino. Em 1932, essa crença foi abandonada e desta data em diante a Sociedade Torre de Vigia ensinou que as Testemunhas eram o único Israel de Deus.
  • Data da presença invisível de Cristo. A Sociedade Torre de Vigia ensinou por mais de 60 anos que isso começou em 1874, insistindo em 1922 que a data estava “claramente indicada” e havia sido dada por autoridade de deus “além de qualquer possibilidade de revisão” e alertando que duvidar da data iria levar ao “repúdio de Deus e nosso Senhor Jesus Cristo e o sangue com o qual nós fomos comprados”. Em 1943, a sociedade moveu o evento para 1914.
  • Identidade das “autoridades superiores”. Russelll ensinou que as “autoridades superiores” de Romanos 13:1, para as quais os Cristãos deveriam mostrar sujeição e obediência, eram as autoridades governamentais. Em 1929, A Sentinela descartou essa visão, afirmando categoricamente que o termo se referia apenas a Deus e a Cristo, e dizendo que a mudança de doutrina era a evidência de uma “progressiva luz” de verdade brilhando para o povo escolhido de Deus. Um estudo de 1952 de A Sentinela afirmou que as palavras de Romanos 13 “nunca poderiam ser aplicadas aos poderes políticos do mundo dos Césares, como fora alegado pelo clero da cristandade”, e uma publicação de 1960 descreveu a antiga visão como um fator que havia tornado o movimento estudantil da Bíblia “sujo” aos olhos de Deus entre o período de 1914-1918. Dois anos depois, em 1962, A Sentinela voltou a pregar a doutrina inicial de Russell.
  • Identidade e função do Corpo Governante. Menções frequentes do termo “Corpo Governante” começaram na Sociedade Torre de Vigia na década de 1970. O Corpo Governante era inicialmente identificado vagamente como os sete membros de direção da Sociedade Torre de Vigia, embora a direção no tempo não tivesse nenhum papel em estabelecer doutrinas da Torre de Vigia ou em fazer editoriais e publicar decisões. Essas decisões eram tomadas inteiramente pelo presidente da Sociedade, que tinha liberdade irrestrita. Tal cargo existiu desde as origens da Sociedade Torre de Vigia: uma Sentinela de 1923 afirmou que Russell sozinho dirigia a política e o curso da Sociedade “sem responder a nenhuma outra pessoa na terra”, e ambos os seus sucessores, Rutherford e Knorr, também atuavam sozinhos em estabelecer doutrinas da Torre de Vigia. Uma mudança organizacional de primeiro de Janeiro de 1976 pela primeira vez deu ao Corpo Governante o poder para controlar as doutrinas e se tornar o conselho supremo das Testemunhas de Jeová. Apesar disso, a Torre de Vigia de 1971 alegou que o Corpo Governante dos cristãos escolhidos tinha existido desde o século XIX para governar os assuntos do povo escolhido de Deus.
  • Tratamento de membros desassociados. Na década de 1950, quando a dissociação se tornou comum, as Testemunhas não deveriam ter nada com os membros expulsos, nem mesmo poderiam conversar ou demonstrar reconhecimento a eles. Membros da família de indivíduos expulsos tiveram permissão para ter “contatos absolutamente necessários em questões relativas a interesses familiares”, mas não puderam discutir assuntos espirituais com eles. Em 1974, a Torre de Vigia, reconhecendo que algumas testemunhas pouco equilibradas tivessem demonstrado comportamento mal-educado, desumano e possivelmente cruel em relação aos expulsos, relaxou as restrições ao contato familiar, permitindo às famílias escolher por si mesmas a extensão de sua associação, incluindo a possibilidade de discutir assuntos espirituais. Em 1981, uma reversão da política ocorreu, com Testemunhas sendo instruídas a evitar qualquer interação espiritual com os membros desassociados, incluindo mesmo um parente próximo. As Testemunhas eram instruídas a evitar cumprimentar pessoas desassociadas. Pais tinham a permissão de cuidar das necessidades materiais de uma criança menor dissociada. Um pai doente ou uma criança fisicamente e emocionalmente doente poderiam ser aceitos de volta em casa “por um tempo”. As Testemunhas eram instruídas a não comer com um parente desassociado e eram avisadas de que influência emocional poderia amaciar sua resolução. Em 1980, os quartéis generais das Testemunhas de Jeová no Brooklin aconselhou aos superintendentes viajantes que uma pessoa não precisava promover “visões apóstatas” para ser desassociada; eles diziam que “uma ação judicial apropriada” deveria ser tomada contra uma pessoa que “continua a acreditar em ideias apóstatas e rejeita o que lhe foi fornecido” através da Torre de Vigia. As regras sobre o ostracismo foram reinterpretadas em 1981, passando a incluir aqueles que haviam resignado da religião voluntariamente.

A liderança da religião foi descrita como autocrática e totalitária, com críticas focando nas demandas da Sociedade Torre de Vigia pela obediência e lealdade das Testemunhas, sua intolerância em relação a discussões abertas e de dissenso de doutrinas e práticas, e a prática de expulsar e demonizar membros que não concordam com todos os ensinamentos da religião.

O ex-Testemunha Raymond Franz acusou o Corpo Governante da religião de depreciar e procurar silenciar os pontos de vista divergentes dentro da organização, e demandar conformidade organizacional que substitui a consciência pessoal, porém as Testemunhas de Jeová afirmam que possuem uma consciência pessoal.

O sociólogo Andrew Holden disse que as Testemunhas aprendem sua teologia de uma forma altamente mecânica, aprendendo quase de cor num método que Raymond Franz descreveu como seções de pergunta-e-resposta “catequísticas” (DOUTRINAÇÃO), nas quais ambas as questões e as respostas eram providenciadas pela organização, crian
do prazer na Testemunha ao repetir o pensamento da organização. Ex-Testemunhas como Heather e Gary Botting alegaram que as Testemunhas “recebem ditado o que devem sentir e pensar”. Porém não se deve esquecer que as Testemunhas de Jeová como grupo devem pensar do mesmo modo, por isso possuem um corpo governante para que isso aconteça.

Charles Taze Russell, fundador da Sociedade Torre de Vigia, acreditava que a cor negra era uma degeneração, e que os negros seriam restituídos a uma condição original com o apocalipse, dependendo de sua humildade. A edição d’A Torre de Vigia de Sião (em inglês), antecessora de A Sentinela, de 15 de fevereiro de 1904 dizia que “Deus poderia mudar a cor da pele dos etíopes no tempo devido”, acrescentando que era comprovado que um menino negro de nove anos havia mudado de cor de pele (para o branco). A Sentinela de primeiro de agosto de 1898 afirmava que “a raça negra descende de Ham (Cam), cuja degradação especial é mencionada em Gênesis 9:22,25”.

Essa afirmação é reiterada numa edição de A Sentinela (Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião, em português) atualmente conhecida por A Sentinela, de 15 de julho de 1902, que alega: “nós não podemos afirmar com certeza que os filhos de Cam e Canaan são os negros, mas nós consideramos esta visão geral tão provável quanto qualquer outra”.

A mesma edição continuava dizendo, nas páginas 215 a 216, que “enquanto é verdade que a raça branca exibe certas qualidades superiores acima de qualquer outra, nós devemos lembrar que existem diferenças amplas na mesma família caucasiana (semítica e ariana).

O segredo da inteligência e habilidade superiores do caucasianos deve ser atribuída sem dúvida à mistura de sangue entre seus variados ramos; e isso foi evidentemente forçado em larga medida por circunstâncias sob o controle divino”.

Uma revista A Torre de Vigia de Sião de primeiro de Outubro de 1900 trazia uma história de como um negro chamado William H. Draper havia, milagrosamente, se tornado branco, em resposta a uma oração.

A revista A Idade de Ouro de 24/07/1929, pág. 207, afirma que os negros são uma “raça de serviçais”. A Sentinela de 01/02/1952, p. 95 também afirma que: “Realmente, nossos irmãos de cor tem um grande motivo para alegrar-se. A raça deles [negra] é dócil e educável…”

Outra edição de A Sentinela faz a seguinte afirmação: “As raças negra e latina provavelmente sempre serão inclinadas à superstição.”

Uma antecessora da revista Despertai, a revista Idade de Ouro (em inglês The Golden Age), de 24 de julho de 1929, na página 702, dizia que: “Acredita-se, geralmente, que a maldição que Noé pronunciou sobre Canaã era a origem da raça negra. É certo que, quando Noé disse: “Maldito seja Canaã, servo dos servos seja aos seus irmãos”, ele imaginou o futuro da raça negra”. A postura da Torre de Vigia em relação aos negros começou a mudar na década de 50, quando estes passaram a ser considerados uma raça “passível de ser ensinada”, nas palavras duma Sentinela de primeiro de fevereiro de 1952, na página 95. De acordo com a Sociedade Torre de Vigia, as Testemunhas de Jeová respeitam, hoje, todas as raças. No entanto, essa mudança de postura pode ser observada em várias Igrejas e religiões. Ademais, até a última década, nenhum negro participou do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Me parece que o senhor Russel era um estelionatário também:

Em 22 de março de 1911, o Brooklyn Daily Eagle relatou que Russell foi acusado de obter lucro de uma variedade de trigo chamada “trigo milagroso”, de KB Stoner, de Fincastle, Virgínia, que alegou ter descoberto essa cepa. Russell vendeu o trigo por US$ 60 por bushel, muito acima do custo médio do trigo na época. Ao longo de 1912 e 1913, o Eagle continuou a relatar a suposta fraude de Russell. Russell tentou processar Eagle por calúnia, mas perdeu. Um especialista do governo investigou o “trigo milagroso” e disse que o mesmo “estava baixo nos testes do governo”. Antes de entrar na corte, Eagle declarou que “o julgamento mostrará que o culto religioso do “pastor” Russell nada mais é do que um esquema de fazer dinheiro”. Russell defendeu-se publicamente e por escrito, alegando que o trigo foi supostamente doado para a Sociedade Torre de Vigia. Ele disse que, embora vendido por US$ 1 por libra, Stoner supostamente vendeu por US$ 1,25 por libra. Russell alegou não ter nenhuma ligação financeira com o trigo e disse que ninguém solicitou o reembolso, embora o tivesse oferecido até um ano depois para qualquer um que estivesse insatisfeito com a compra.

Em 1897, a esposa de Russell, Mary, deixou-o depois de um desentendimento sobre o gerenciamento da revista Zion Watch Tower . Ela acreditava que, como sua esposa, ela deveria ter o mesmo controle sobre sua administração e igual privilégio ao escrever artigos, pregar e viajar para o exterior como seu representante.

Em 1903, ela pediu separação judicial por motivos de crueldade mental, referindo-se ao celibato forçado (Abuso sexual), frieza e ao frequente, tratamento indiferente por parte dele. A separação foi concedida em 1906, com Russell sendo obrigado a pagar pensão alimentícia.

Durante o julgamento, o advogado da Sra. Russell alegou que, em 1894, o Sr. Russell havia se envolvido em “intimidade imprópria” com Rose Ball, uma mulher de 25 anos. Russell cuidou dela como uma filha adotiva que dizia ser órfã. A Sra. Russell alegou que Ball tinha dito a ela que o Sr. Russell afirmou ser uma “medusa amorosa flutuando” para mulheres diferentes até que alguém respondeu aos seus avanços. O Sr. Russell tentou se defender dizendo que nunca usou essa linguagem para se descrever.

O Washington Post e o Mission Friend of Chicago reproduziram a história da “medusa”, ao mesmo tempo em que acusavam Russell de conduta imoral. Posteriormente Russell processou os jornais por difamação; O júri decidiu a seu favor, concedendo-lhe uma indenização considerável e um acordo de que os dois artigos publicariam seus sermões semanais, bem como uma retração defendendo sua imagem.

No início do século XX, Russell proferiu um exótico discurso intitulado – “Quem Pode Conhecer os Segredos de Deus?”.

No decorrer deste, ele declarou:

“… porque desejo chamar sua atenção para o fato de que o próprio Deus Todo-Poderoso é fundador de uma sociedade secreta… Ao longo da Era do Evangelho tem existido uma Igreja externa de Deus e outra Igreja verdadeira que estava oculta. O mundo já viu a Igreja externa, porém não a oculta… esta magnífica sociedade secreta que o Senhor organizou…”

Para aqueles que têm intimidade com os conceitos maçônicos tais palavras soam bastante familiares. Muito embora a Maçonaria, na atualidade, negue ser uma sociedade secreta, ainda assim admite o caráter sigiloso de seus símbolos e do reconhecimento mútuo dos membros de sua ‘irmandade’ ao redor do mundo. Ademais, não se pode negar o fato de que, ao público em geral, a Maçonaria é vista como uma instituição fechada ou secreta – exceto para os iniciados. Dessa forma, o termo ‘sociedade secreta’ dificilmente ajustar-se-ia ao vocabulário cristão, sendo mais facilmente associado ao jargão maçônico. Teria Russell escolhido tais palavras ao acaso? Ou as teria tomado e
mprestadas da Maçonaria?

Em Novembro de 1913, Russell proferiu outro discurso – não em uma congregação (ou ‘eclésia’, como chamavam-na) – mas na sede maçônica de Pasadena – California, no qual emitiu as enigmáticas palavras:

“Estou muito contente em ter esta oportunidade particular de dizer umas palavras sobre algumas coisas de comum acordo com nossos amigos maçons, pois estamos falando em um edifício consagrado à Maçonaria, e porque, ademais, nós também somos maçons. Eu sou um Franco-maçom livre e aceito… Eu creio que todos somos… Não vou falar nada contra a maçonaria… De fato, alguns de meus melhores amigos são maçons e eu reconheço que há certas verdades preciosas que são sustentadas em parte por nossos amigos maçons.”

Que tal essa? Me parece, sinceramente, que Russel era um belo admirador da Maçonaria, o negócio dele era a Maçonaria!

A própria expressão usada por ele – “livre e aceito” – faz parte do jargão maçônico, indicando que ele estava muito bem familiarizado com esta instituição. De fato, Russell parecia apenas revelar mais uma faceta de sua complexa personalidade, sendo ele próprio, se não um ‘iniciado’ em sentido pleno, no mínimo, um simpatizante da Maçonaria, como muitos outros de seu tempo. Era comum. Isso explicaria facilmente a razão de ele não ter tido qualquer escrúpulo em proferir as palavras acima diante de uma atenta assistência. Não havia razões para “tropeço”- quer para os maçons quer para os próprios seguidores de Russell.

O pronunciamento do ‘pastor’ diante da comunidade maçônica não foi um evento secreto. Ao contrário, acha-se registrado, em sua inteireza, no compêndio 1913 Convention Report [Relatório da Convenção de 1913] dos ‘Estudantes da Bíblia’.

O discurso de Russell diante dos maçons contém palavras que vão muito além do que a Testemunha de Jeová mediana – hoje em dia – poderia suportar sem sofrer sérios abalos na fé que abraçou.

“É assim.. O Grande Mestre Artífice da nossa Alta Ordem de Maçons Livres e Aceitos, o Senhor Jesus Cristo, lançou a fundação de tudo; como a bíblia diz, Outra fundação nenhum homem pode lançar que não aquela que está lançada, Jesus Cristo. Ele tem a fundação da alta e aceitável maçonaria, e tudo o que pertence a ela.”

A torre é a própria marca registrada das Testemunhas de Jeová, pois consta em seu selo e publicações até hoje e faz parte de seu próprio nome como instituição oficial – Sociedade Torre de Vigia. A entidade possui um logotipo em forma de torre, cabendo sanções civis sobre aqueles que o utilizarem sem sua permissão.
“A expressão Torre de Vigia não é exclusividade dos escritos de Russell nem das Testemunhas de Jeová. George Storrs publicou um livro na década de 1850 intitulado The Watchtower… [A Torre de Vigia…].
Esse nome foi também incorporado no título de vários periódicos religiosos…” – Proclamadores, pág. 48

Por exemplo, vejamos o que diz a obra Dicionário da Franco-Maçonaria (Daniel Ligou – 1987 – página 1181, em espanhol):
“Torre de Vigia – Símbolo próprio da franco-maçonaria de pedra (torre redonda) e de madeira (torre quadrada ou poligonal)… A Torre representa a Palavra e tem um significado especialmente radiante. A luz brota de maneira circular e em todos os planos…”

E como é de regra na cultura cristã, as pinturas com assinaturas maçônicas com as posições das mãos…


Mas interessante mesmo é os livros do grande Charles T. Russel:

The Finished Mistery e The Divine Plan of The Ages

Parece que nosso Russel gostava mesmo da cultura do Egito. Julgando pelo próprio discurso que ele realmente gostava da Maçonaria, posso afirmar que ele era muitíssimo fã das Antigas Religiões do Antigo Egito.

Mas uma coisa interessante, é o Salão de Assembléia dos Testemunhas de Jeová na Dinamarca, dê uma olhada:

Veja você mesmo no Google Maps: Helsinkivej 3A, 8600 Silkeborg, Dinamarca

E para fechar com chave de ouro: o túmulo de Russel, o amante das pirâmides e da maçonaria!

Para os maçons Illuminatis que em 1800 estavam buscando no escuro alguma iluminação mística, o obelisco era o único símbolo arquitetônico de Osíris ainda em existência. Como alguns historiadores maçônicos afirmam, Hiram Abiff é realmente Osíris renascido, não poderia haver maior prova de ascendência maçônica no mundo moderno do que obeliscos egípcios impostos pelos maçons no coração das grandes cidades do ocidente. Estes também simbolizariam Boaz e Jachim, os dois pilares que os maçons dizem que foram construídos em frente do templo de Salomão, imitando os dois obeliscos na entrada dos templos egípcios.

Sociedades secretas como a Maçonaria, Rosas Cruzes, Illuminatis (que na verdade são todos um só), Golden Dawn, Esoterismo, Wicca e outras organizações ocultas continuam a usar essas imagens para marcar pontos de governo como estruturas religiosas em praças ao redor do mundo. Obeliscos também são comumente utilizados para marcar os túmulos de maçons proeminentes.

Encerro essa publicação com uma pergunta: Será que todos os testemunhas de jeová sabem que o fundador da religião deles, Charles T. Russel era Maçom Grau 33?

Veja também o post sobre a Ellen Gold White.